Caixa de texto:

 

 

 

 

 

 

Lilo – Lucas e João Victor

 

É preciso criar pessoas que se atrevam a sair das trilhas aprendidas, com coragem de explorar novos caminhos, pois a ciência constitui-se pela ousadia dos que sonham e o conhecimento é a aventura pelo desconhecido em busca da terra sonhada".

Rubem Alves

 

 

 

Característica que parece ser a chave da disciplina de Psicopedagogia, que prima pela prevenção do fracasso escolar ao relacionar as dinâmicas do sujeito aprendente, conforme ESCOTT ao citar Pain(1989), onde  está em ação o ser e seu corpo, organismo, inteligência e desejo.

Nesse sentido, percebe-se que iniciamos uma caminhada onde desejo e conhecimento serão tratados integradamente (Pain, 1996), buscando possibilidades de uma educação prazerosa, com olhar de longo alcance, percebendo potenciais onde se via fracassos e oferecendo desafios onde se doavam respostas.

Ver o corpo como instrumento pedagógico presente no processo de uma educação integral, dessa forma o aluno educando será levado ao mágico sentimento de aventura, onde as descobertas precisam ser compreendidas e comemoradas a cada novo encontro educativo.

 

Caixa de texto:  
Como pedagogos estamos situados na encruzilhada entre as duas formas de construção do pensamento. Nos estamos diante de um sujeito que tem que aprender e, através do aprender, se constitui como sujeito. ...Os pedagogos, diante do sujeito que está crescendo, que está em desenvolvimento, tem necessidade de se apoiar numa teoria capaz de dar conta de forma integrada de todos os seus aspectos.(PAIN, 1996 P,16).
 
 

 

 

 

 

 

 

Com essa expectativa, seguem-se os estudos na disciplina de psicopedagogia, buscando estar cada vez mais equipados para o sucesso dos alunos nas escolas em que formos atuar, lembrando que mais do que aprender precisa-se de qualidade de vida, alegria e oportunidade de sonhar livremente como se faz na infância.

Caixa de texto:

 

 

Não quero ser adulto como esses com suas vidas regradas, podadas, abortadas. Não quero ter de viver só como o que se delimitou sendo o real.

Não quero perder minhas asas, por isso não vou crescer – apenas me desenrolar. (LUFT, 1999. p. 33).

 

 

Olhar psicopedagógico para ver uma escola onde o sonhar é permitido, mais do que isso, é estimulado e o potencial das asas aceito para novos vôos e outras aventuras.

As aulas vão seguindo, definimos avaliação de forma coletiva, com critérios não convencionais, porém muito interessantes, na medida em que buscam provocar desafios em todos os envolvidos, para que de sua maneira possam se posicionar sempre que achar oportuno.

O que se espera de uma avaliação numa perspectiva transformadora é que seus resultados constituam parte de um diagnóstico e que, a partir dessa análise da realidade, sejam tomadas decisões sobre o que fazer para superar os problemas constatados: perceber a necessidade do aluno e intervir na realidade para ajudar a superá-la. (VASCONCELLOS, 1995,  p. 70)

 

A clareza no trato da avaliação se faz muito importante, pois da segurança e tranqüilidade na medida em que sabemos o que e como estamos sendo avaliados.

Assim ficou combinado o seguinte:

Leitura de textos

Nível 1- Leu todos os textos, realizando síntese, conceitos e faz a relação com a prática docente

Nível 2 – Leu todos os textos, realizando parcialmente a síntese conceitual, e fazendo parcialmente a relação teoria e prática.

Nível 3 – Leu parcialmente os textos, não realizando a síntese conceitual, tentando realizar a relação teoria e prática.

Reflexão

Nível 1 – Posiciona-se em relação ao pensamento do autor, buscando relações com outras disciplinas e autores, refletindo com vivencias de práticas docentes e discentes.

Nível 2 – refere as idéias do autor, contribuindo pouco com idéias próprias e realiza algumas relações entre teoria e prática.

Nível 3 – Não consegue refletir sobre as principais idéias do autor e faz poucas relações entre teoria e prática.

Interação em aula

Nível 1 – Participa das discussões em grandes e pequenos grupos, com relatos e reflexões teórica práticas – fala e escuta.

Nível 2 – Participa parcialmente

Nível 3 – participa apenas quando solicitado, contribuindo pouco com o grupo.

Dessa forma, será expresso uma nota para os alunos de acordo com os critérios estabelecidos nos níveis acima.

Se faz muito importante relembrar as concepções epistemológicas, os modelos pedagógicos, conforme segue no material elaborado pela professora Clarice Escot:

EPISTEMOLOGIA GENÉTICA - JEAN PIAGET

Teoria do desenvolvimento humano.

MÉTODO CLÍNICO: observações sistemáticas, análises detalhadas, questões individuais para análise das respostas (raciocínio) Þ DETECTAR MUDANÇAS NO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO.

PRINCÍPIOS BÁSICOS:

ATOS BIOLÓGICOS - atos de adaptação ao meio físico e organização do meio ambiente.

ATOS COGNITIVOS - atos de organização e adaptação ao meio.

ORGANIZAÇÃO E ADAPTAÇÃO

INTERNO  E     EXTERNO

ESQUEMA:

Estruturas mentais ou cognitivas pelas quais os indivíduos intelectualmente se adaptam e organizam o meio.

Como estruturas, são correlatos mentais dos mecanismos biológicos de adaptação.

São de natureza reflexa (nascimento)

São construídos.

ASSIMILAÇÃO:

Processo cognitivo pelo qual a pessoa integra um novo dado perceptual, motor ou conceitual nos esquemas já existentes.

ACOMODAÇÃO:

É a criação de novos esquemas ou a modificação de velhos esquemas Þ resultam em mudança de estrutura cognitiva ou no desenvolvimento.

PROCESSOS COGNITIVOS:

ASSIMILAÇÃO Þ MUDANÇA QUANTITATIVA

ACOMODAÇÃO Þ MUDANÇA QUALITATIVA

EQUILIBRAÇÃO  Þ É O BALANÇO ENTRE AS E AC

Þ MECANISMO AUTO-REGULADOR

EQULIBRAÇÃO OU ADAPTAÇÃO INTELIGENTE:

É O REGULADOR QUE PERMITE QUE NOVAS EXPERIÊNCIAS SEJAM INCORPORADAS, COM SUCESSO, AOS ESQUEMAS ANTERIORES.

FATORES DO DESENVOLVIMENTO GOGNITIVO:

CONTEÚDO:

é o que o sujeito conhece

Comportamentos observáveis: sensório motor e intelectual Þ atividade intelectual

FUNÇÃO:

Características da atividade mental Assimilação e Acomodação

ESTRUTURA:

Organizações dos esquemas explicam a ocorrência de determinados comportamentos.

 

AÇÃO:

Comportamentos que estimulam o aparato intelectual da criança

Pode ou não ser observável

Produz desequilíbrio e permite a  AS e AC

Atividade

 

A experiência sozinha não assegura o desenvolvimento, mas o desenvolvimento não ocorre sem a experiência.

 

CONHECIMENTO FÍSICO:

Conhecimento das propriedades físicas de objetos e eventos : tamanho, forma, textura, peso,...

Se adquire agindo sobre o objeto, manipulando-o, através dos sentidos

 

CONHECIMENTO LÓGICO-MATEMÁTICO:

Construído a partir do pensar sobre as experiências, sobre os objetos

 

CONHECIMENTO SOCIAL:

Conhecimento sobre o qual os grupos sociais ou culturais chegam a um acordo por convenção

Construído a partir das AÇÕES E INTERAÇÕES COM OUTRAS PESSOAS

FATORES DO DESENVOLVIMENTO SEGUNDO PIAGET:

 

HEREDITARIEDADE: maturação interna

Tem papel importante mas não suficiente para explicar o desenvolvimento da criança.

 

EXPERIÊNCIA FÍSICA OU AÇÃO SOBRE OS OBJETOS: têm papel fundamental para explicar o desenvolvimento mas não se sustenta sozinha.

A experiência do sujeito é fundamental, porém seria  em vão sem a lógica.

TRANSMISSÃO SOCIAL: Diz respeito ao fator educativo.

Este fator tem um papel determinante, mas é insuficiente por si só.

“ Para que uma transmissão seja possível entre o adulto e uma criança ou entre o meio social e a criança educada, é necessário haver assimilação pela criança do que lhe procuram inculcar do exterior. Ora, essa assimilação é sempre condicionada pelas leis desse desenvolvimento parcialmente espontâneo.” (Piaget, 1973, p.30)

EQUILIBRAÇÃO: indica o equilíbrio entre os três fatores anteriores.

É fundamental porque corresponde sempre a uma nova descoberta, uma nova noção.

É um jogo de regulações  e compensações na busca para atingir a coerência.

 

ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO SEGUNDO PIAGET:

O desenvolvimento cognitivo é um processo coerente de sucessivas mudanças QUALITATIVAS das estruturas cognitivas, de caráter integrativo.

Os estágios do desenvolvimento operatório obedecem a uma ordem de sucessão fixa. Não são etapas às quais possamos determinar uma data cronológica constante. Mas a ordem de sucessão é constante. Ela é sempre a mesma. (Piaget, 1973, p. 15)

As construções sucessivas de cada estágio permanecem nos estágios seguintes como subestruturas, sobre as quais se edificam novas aquisições.

O meio social e a intervenção do adulto poderão retardar ou antecipar o desenvolvimento da criança.

Aventurando-se na maravilhosa descoberta do eu e do mundo, a criança avança dos primeiros movimentos reflexos, dos movimentos circulares para, aos poucos, evoluir do plano prático, através de uma diferenciação progressiva, até um nível representativo das operações mentais, ultrapassando o nível das ações. (Escott, 2004, p. 52)

 

ESTÁGIO DA INTELIGÊNCIA SENSÓRIO-MOTORA:

De zero aos 2 anos

três subestágios:  dos reflexos; da organização das percepções e hábitos; e da inteligência senso-motora propriamente dita.

O comportamento é basicamente motor

Inicia com os movimentos reflexos

Reação circular: todos os movimentos do bebê são assimilados aos esquemas anteriores, construindo totalidades cada vez mais amplas

Noção de objeto permanente

 

Os exercícios reflexos são o prenúncio da assimilação mental, vão tornando-se cada vez mais complexos, integrando e organizando hábitos e percepções, através da ação do sujeito sobre o mundo, ponto de partida para a aquisição de novas condutas.

Esquemas de ação senso-motores Þ  inteligência prática ou conceito senso-motor Þ começam, gradativamente, a coordenarem-se entre si, por assimilação recíproca, assim como acontecerá mais tarde com as noções e conceitos no nível do pensamento representativo.

É aproximadamente ao final do seu primeiro ano de vida que a criança terá a possibilidade de diferenciar-se do objeto,  percebendo-o como independente de seu corpo e movimento,  compreendendo os deslocamentos desse objeto no espaço.

 

“... a consciência começa por um egocentrismo inconsciente e integral, até que os progressos da inteligência senso-motora levem à construção de um universo objetivo, onde o próprio corpo aparece como um elemento entre os outros, e ao qual se opõe a vida interior, localizada neste corpo.” (PIAGET, 1998, p.20-21)

“ Durante  este período sensório-motor,  tudo que é sentido e percebido será assimilado à atividade própria da criança. O próprio corpo da criança não está dissociado do mundo exterior e é neste sentido que Piaget fala de um egocentrismo integral. ” (Ajuriaguerra, [s.d.], p. 25)

 

ESTÁGIO DO PENSAMENTO PRÉ-OPERACIONAL:

Dos 2 aos 7 anos

Desenvolvimento da linguagem e outras formas de representação Þ aparição do pensamento propriamente dito com base  na linguagem interior e no sistema de signos

Função semiótica: evocação simbólica através da linguagem e imagens mentais

Imitação diferida: imitação de um modelo, mesmo estando longe dele

Socialização da ação

Jogo simbólico ou jogo de imaginação e imitação

 

A criança...

“... reproduz no jogo as situações que a impressionam (interessantes e incompreensíveis , devido à sua complexidade), pois ela não pode refletir sobre elas devido à incapacidade em separar o pensamento e a ação própria. Por outro lado, reproduz todas as ações vividas, assimilando-as a seus esquemas de ação e seus desejos (afetividade), transformando tudo aquilo que, na realidade, poderia lhe ser penoso, fazendo-as suportáveis ou mesmo agradáveis. O jogo simbólico seria, pois, para a criança, um meio de adaptação, tanto intelectual quanto afetivo. Os símbolos lúdicos do jogo têm um caráter muito pessoal e subjetivo. ” (Ajuriaguerra,[s.d.], p.26)

 

ESTÁGIO DO PENSAMENTO PRÉ-OPERACIONAL:

pensamento intuitivo Þ corresponde a uma forma mais adaptada de pensar o real Þ egocentrismo impossibilita a indiferenciação do pensamento próprio

Advento da função simbólica ou semiótica Þ é a linguagem, sistema de sinais sociais em oposição aos símbolos individuais Þ nesta fase ainda mais individual que social.

 

ESTÁGIO DAS OPERAÇÕES CONCRETAS:

Dos 7 aos 11 anos

Caracterizado por mudanças significativas, tanto do ponto de vista afetivo como cognitivo

A criança desenvolve a habilidade de aplicar o pensamento lógico a problemas concretos

Jogo de regras

Desenvolvimento da socialização e da autonomia moral e intelectual

 Segundo Ajuriaguerra ([s.d.], p.27),

“... a coordenação das ações e das percepções que é a base do pensamento operatório individual, implica igualmente nas trocas entre os indivíduos. A criança não se limita a acumular informações. Ela as relaciona umas com as outras e, graças, a esta confrontação de enunciados verbais de diferentes pessoas, toma também consciência de seu próprio pensamento, em comparação aos pensamentos alheios.”

O sincretismo da linguagem egocêntrica dá lugar à necessidade de justificação lógica das idéias, possibilitando a dissociação dos pensamentos próprios com os dos outros ,  podendo  coordená-los. (ESCOTT, 2003, p. 62-63)

 

ESTÁGIO DAS OPERAÇÕES CONCRETAS:

lA lógica de pensamento nesse período é basicamente direcionada aos objetos manipuláveis. Para Piaget, a noção de estruturas de conjunto, próprias desta fase, são fundamentais para a elaboração do pensamento, pois  “... é uma lógica no sentido em que as operações estão coordenadas , agrupadas em sistemas de conjunto, que têm suas leis como totalidades ...” (Piaget, 1973, p.24)

 

 

ESTÁGIO DAS OPERAÇÕES FORMAIS:

Entre os 11 e 15 anos

Estruturas cognitivas do sujeito alcançam seu nível mais elevado de seu desenvolvimento

As crianças tornam-se aptas  a aplicar o raciocínio lógico a aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas

Capacidade hipotético-dedutiva

Programa de vida: disciplina e possibilidade de cooperação

 

ESTÁGIO DAS OPERAÇÕES FORMAIS:

De acordo com Ajuriaguerra ([s.d.], p. 28 ),

“ ... defrontando-se com problemas a resolver, o adolescente manipula os dados experimentais, para formular as hipóteses. Isto é, ele apercebe-se do possível e não somente, como antes da realidade que ele constata no presente. (...) Ele as confronta graças a utilização de um sistema de operações inteiramente reversível, deduzindo verdades cada vez mais gerais.”

 

Segundo Piaget (1998, p.60),

“... é a idade da metafísica por excelência: o eu é forte bastante para reconstituir o Universo e suficientemente grande para  incorporá-lo. (...)  o egocentrismo metafísico encontra, pouco a pouco, uma correção na reconciliação entre o pensamento formal e a realidade. O equilíbrio é atingido quando a reflexão compreende que sua função não é contradizer, mas, se adiantar e interpretar a experiência. Esse equilíbrio, então, ultrapassa amplamente o do pensamento concreto, pois, além do mundo real, engloba as construções indefinidas da dedução racional e da vida interior.

 

ONIPOTÊNCIA DE REFLEXÃO

EGOCENTRISMO INTELECTUAL

 

DESENVOLVIMENTO HUMANO  E APRENDIZAGEM:

Ao refletir-se sobre o processo sucessivo das etapas do desenvolvimento, percebe-se o quanto a vida humana exige um grande esforço de adaptação e conquistas incessantes. O sucesso desse desenvolvimento, adaptação e conquistas, por certo, dependerá do desenvolvimento biológico do sujeito, porém, em grande parte, dependerá, também,  da qualidade das relações que esse sujeito estabelecer com seu meio, com os adultos e com seus pares.  A qualificação destas relações é, em grande medida, responsabilidade da escola, espaço socialmente reconhecido para a socialização da cultura e dos conhecimentos historicamente construídos pela humanidade, e dos educadores, profissionais responsáveis pela organização desse espaço escolar. (ESCOTT, 2004, p.65-66)

CATEGORIAS DE PENSAMENTO:

Caixa de texto:

 

Objeto

Tempo

Espaço

Causalidade

 

“Nunca há ação puramente intelectual, (...), assim como também não há atos que sejam puramente afetivos (...) sempre os dois intervêm, porque se implicam um ao outro.” (Piaget, 1998, p.36)

 

 

Resenha Crítica do livro: Interfaces entre a psicopedagogia clinica e institucional

Por Lilo Dorneles  

 

O livro: Interfaces entre a psicopedagogia clinica e institucional. Um olhar e uma escuta na ação preventiva das dificuldades de aprendizagem.

 

Interfaces entre a psicopedagogia clinica e institucional

Um olhar e uma escuta na ação preventiva das dificuldades de aprendizagem.

 

Com prefácio da professora Patrícia Wolffenbüttel, o livro trata das questões da psicopedagogia na perspectiva da prevenção ao fracasso escolar, ou das dificuldades de aprendizagem. Conforme Wolffenbuttel, ...esse apaixonante campo de conhecimentos que focaliza o aprender e para, além disso, o aprender bem, o aprender com prazer e por prazer.

O que de certa forma, encontra-se distante do contexto da educação atual, principalmente no diz respeito ao ensino fundamental séries finais e adiante. Em constatações que temos feito em pesquisas realizadas dentro das escolas com professores e alunos, o que se sente é uma vontade grande de sair daquele ambiente o mais rápido possível. O mesmo se verifica na faculdade, comentários como: Ah! Não vejo a hora de “terminar” de me formar... e assim por diante. O prazer de estar ali, de aprender do encontro, não está sendo visualizado. As pessoas estão se especializando em grande parte por uma exigência do mundo pós-moderno, da sociedade contemporânea que a todo o momento exige e exclui, quem não se enquadra nos padrões esperados.

O prefácio traz duas questões interessantes: Essa condição gratificante de aprender está contemplada na vida dos educadores?  Se não está, como eles oportunizam situações de ensinar/aprender prazerosas a seus alunos?  Nesse sentido, os próprios cursos universitários precisam ser analisados, refletidos, ou repensados. Pois a maioria dos educadores reproduz em suas escolas, o como e o oquê, aprendem em seus cursos.

Mergulhando no primeiro capitulo do livro, que traz uma síntese da pesquisa de mestrado de Clarice Monteiro Scott, a autora faz um retrato de sua caminhada como educadora e psicopedagoga, aproximando a teoria e a prática, começando no histórico da psicopedagogia e caminhando por suas dimensões clinica e institucional.

Entre os autores apontados por Scott nessa concepção histórica da psicopedagogia, Froebel relata o jogo como um fator insubstituível na educação e fonte de interpretação e conhecimento do desenvolvimento infantil, ensinando, assim, aos psicopedagogos de forma brilhante e adiantada para o seu tempo, que os movimentos espontâneos da criança são os que,  maneira mais fácil e clara, podem manifestar sua alma.

Porém a condição de fazer as leituras dessas manifestações, é que necessita de um estudo especializado, onde entra a contribuição da disciplina, pois muitos professores têm dificuldade para compreender o que o aluno está querendo dizer com determinados comportamentos e ações durante o jogo.

Assim os estudos históricos avançam a cada século delineando a caminhada dessa ciência que passou por fases diferenciadas tendo desde uma concepção de reeducação, até o momento em que transita por uma perspectiva interdisciplinar, integrando teorias de psicogenética, psicanálise, neurologia, lingüística e psicomotricidade. Instrumentalizando-se assim para intervir nos processos de aprendizagem e não aprendizagem, conforme a autora.

Citando Sara Pain (1989) a autora define a dificuldade de aprendizagem como presente na dinâmica das relações do sujeito, que se configura em um corpo, organismo, inteligência e desejo, em movimento constante com o meio em que está inserido, como a família, a escola, o contexto social, dialogando nesse processo.

Essa talvez seja a compreensão mais difícil para educadores e educadoras, relacionar esses espaços, para daí dinamizar propostas de ações, que contemplem da forma mais plena possível o ser educando que aí se encontra.

Na seqüência, o livro entra com fundamentação em Piaget relatando a importância do histórico de vida do sujeito com dificuldade de aprendizagem, os levantamentos de processos de assimilação e acomodação, onde o aluno transforma a realidade e mais adiante apresentando os estágios de desenvolvimento. Questões de fundamental importância para professoras e professores acompanhar os avanços e as defasagens em certos casos de alguns alunos. Nesse espaço a autora coloca que:

...a intervenção psicopedagógica é, sobretudo, a organização da ação de um espaço objetivo e subjetivo, que favoreça a reconstrução dos aspectos cognitivos do sujeito e do vinculo com a aprendizagem, através do jogo, da brincadeira, do desenho, da dramatização e da busca prazerosa do aprender a aprender.(p,34).

Acredita-se que para que essa sensação aconteça, se faz necessário em primeiro plano a descoberta do prazer de ensinar e a  possibilidade de sair do lugar comum, se permitir estar em movimento e ampliar horizontes para que a superação da exclusão seja uma realidade escolar, nesse caso os professores e professoras precisam ousar caminhar por outros caminhos.

Estamos vivenciando uma sociedade onde a exclusão do ser humano se dá em várias frentes, até mesmo na família em certos momentos um filho pode ser o preferido enquanto outro é rotulado por ter determinadas características. A mulher em muitos casos recebe rótulos diversos e mesmo com toda a luta por seu espaço, os avanços em determinados segmentos são lentos. Na escola não é diferente, em alguns casos o fracasso escolar se dá por uma falta de percepção da unicidade do ser humano e a busca de respostas e comportamentos padrões.

Sendo assim, a autora coloca que: Uma escola que não organiza o planejamento de ensino a partir das necessidades dos alunos pode desencadear o que PAIN (1989) denomina de comportamento reativo as propostas escolares.(p.36)

Aqui a autora define as duas dimensões onde se dá o fracasso escolar, uma interna, individual que diz respeito ao aluno e suas vivencias, outra externa, que corresponde a escola e seus aspectos culturais.

Nesse sentido, o livro destaca a importância do redimensionamento da ação pedagógica, considerando cada aluno como um sujeito único, em suas dimensões objetiva e subjetiva da aprendizagem, com forma de construirmos uma pedagogia do respeito, das descobertas e do prazer. (p. 42)

Clima esse que fica evidente no momento em que os alunos jogam, brincam e sonham na sala de aula. O sonho da esperança de que a inspiração provocada por educadores comprometidos, poderão realmente fazer a diferença na vida do sujeito aprendente, não no futuro, mas no seu tempo e no seu espaço.

 

Repensando a teoria e a prática: Uma análise sobre o pensar e o agir pedagógico numa perspectiva  psicopedagógica

 

Neste capitulo a autora procura fazer relações de aspectos teóricos embasando e fortalecendo a pratica diária nas escolas, refletindo por um viés psicopedagógico.

É sabido que a teoria pura e simplesmente, se torna abstrata e fica no campo filosófico, não trazendo efeito concreto e perceptível no campo das ações. Mas quando a teoria surge como suporte para fundamentar a pratica diária, se torna um eixo de segurança e clareza nas decisões complexas a que são submetidos os educadores e educadoras a cada instante nas salas de aula e nas escolas.

Conforme ESCOTT (2004, p.50) a psicopedagogia busca investigar o ato de aprender articulando as diferentes dimensões do sujeito que aprende.

Nesse sentido busca na epistemologia genética de Jean Piaget, na psicanálise de Freud, nos estudos de Sara Pain, entre outros autores, sua base de relações para o desenvolvimento afetivo e cognitivo bem como as aquisições operatórias de pensamento, buscando uma melhor compreensão do desenvolvimento da criança, relacionando com entrevistas a que foram submetidas algumas professoras a cerca das dificuldades de aprendizagens e sua prevenção.

Conforme PIAGET (1998, p.22)  in ESCOTT (p. 51) afetividade e inteligência são, assim, indissociáveis e constituem os dois aspectos complementares de toda a conduta humana. Pois são constituições subjetivas que mesmo cumprindo funções diferentes o cognitivo e o afetivo apresentam-se no seu mecanismo intimo. Esses dois potenciais humanos têm importância fundamental no equilíbrio e no desenvolvimento da criança.

O período de maior desenvolvimento para o humano vai do nascimento ao inicio da vida escolar, pois nessa fase tudo é novo para a criança e o corpo está muito presente em todas as suas descobertas, portanto os conhecimentos acontecem de forma visceral e sensorial, ou seja, envolve todos os sentidos, até avançar para um nível de operações mais complexas, nesse sentido cada sujeito tem o seu tempo de aprendizado e desenvolvimento, conforme influencias do meio social, cultural e das suas questões orgânicas e genéticas.

Conforme a autora, o desenvolvimento psíquico do ser humano inicia no nascimento e evolui na busca de um equilíbrio até a idade adulta. Sendo um processo de busca de uma equilibração progressiva e de uma superação   de um estado de menor equilíbrio para um equilíbrio superior, esse processo de desenvolvimento se dá tanto do ponto de vista da inteligência quanto na vida afetiva e social. (ESCOTT, 2004. p 52)

Sendo assim, Piaget em seus estudos definiu os estágios para o desenvolvimento do ser humano, onde certas características são apresentadas pelas crianças a cada fase em que ela transita. O período sensório motor acontece por volta dos dois anos de idade e pode ser dividido em três substágios; dos reflexos; da organização das percepções e hábitos; e da inteligência senso motora. Ainda o desenvolvimento da linguagem e quatro processos importantes para o desenvolvimento do sujeito; são as categorias de objeto, espaço, casualidade e tempo. Surge aqui a noção de objeto permanente.

A partir dos dois anos é a fase pré-operatório que segue até os sete anos aproximadamente. É nessa fase que a linguagem tem significado especial e o pensamento assume formas mais elaboradas assim como a socialização.

Por volta de sete aos doze anos, surge o período operatório-concreto e aí o jogo de regras tem lugar de destaque. Nesse momento a criança entra na escola e sua inteligência passa por grandes transformações, faz relações de pensamentos, pensa antes de agir e encontra novas formas de explicação do real.

Por fim, a partir dos doze anos, inicia o pensamento formal, período também chamado de adolescência, a sexualidade assume um papel importante, o raciocínio lógico e mais complexo e avança consideravelmente. Conforme Piaget é a idade da metafísica por excelência: o eu é forte bastante para reconstruir o universo e suficientemente grande para incorpora-lo.

Acredito que para professores e professoras desvendar os mistérios a cerca do desenvolvimento humano, passa ser imprescindível, pois aí se tem condições de programar ações capazes de atender o sujeito no seu momento e no seu lugar. Embasando o seu fazer pedagógico em domínios não mais empíricos e sim científicos, compreendendo com clareza o efeito de cada proposta no desenvolvimento do aluno.

Considerações finais: Perspectivas futuras

Acredita-se que os avanços acontecem inegavelmente ao longo da caminhada, assim acontece também na Psicopedagogia e demais ciências da educação, para tanto é preciso uma abertura e uma inquietação constante na busca de novas descobertas.

Que a Psicopedagogia tem contribuição importante na atuação dos profissionais da educação é indiscutível, pois amplia as possibilidades de entendimento e compreensão dos processos de aprender e não aprender, podendo abrir possibilidades de prevenção ao fracasso escolar e redimensionando a qualidade de vida na escola, ou, promovendo a humanização da sala de aula na medida em que olha mais profundamente para o sujeito humano que está ali e tenta compreendê-lo.

Da compreensão surge o dinamismo da mudança, do alargamento do olhar, da ressignificação da práxis descobrindo novos caminhos sem deixar de promover ações de considerações positivas. O espírito critico precisa estar a frente sempre, num questionamento sistemático visando a conseqüente descoberta de estratégias mais adequadas as intervenções pedagógicas.

Conforme diz a autora ao citar (Piaget, 1985, p. 130)

“...Os professores das escolas não tem a sua disposição nem uma ciência da educação suficientemente elaborada que lhes permita operar de maneira pessoal para fazer progredir essa disciplina, nem a consideração sólida que deveria estar ligada a essa coletividade”.

Cabe provocar ainda, uma mudança de paradigmas dos educadores e educadoras, no sentido de pensar além de suas áreas de atuação, buscando alianças interdisciplinares, para que o coletivo esteja a serviço do melhor de cada um, num movimento sensível ao exercício de fazer vir a tona aquilo que há de mais bonito, prazeroso, alegre, eficaz e criativo do aluno e da aluna na escola.

Conforme ESCOTT, Cabe aos formadores de educadores, repensar o currículo do ensino superior, buscando garantir uma formação digna e competente aos profissionais da educação. (p. 131) Pois muitas disciplinas nas universidades são repetitivas, outras monótonas e outras ainda com conhecimentos já bastante defasados. Muitos professores (as) universitários falam bastante de um ensinar e aprender prazeroso e alegre, quando na verdade não sabem, ou não manifestam o que sabem nesse sentido em suas aulas, pois as mesmas são muito chatas.

O fato é que todas as possibilidades que vem a enriquecer o conhecimento do profissional da educação, servindo – lhe como um instrumento no dia a dia, torna esse trabalho mais eficaz, contribuindo para construção de relações de aprendizagem mais sadia e prazerosa, desafiando a história da educação brasileira. (p.. 132.)

 

 

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Texto elaborado por - Lilo, Raquel e Jana, sistematização e reflexão a cerca dos estudos sobre Piaget

Segundo Piaget, as estruturas mentais pelas quais a criança aprende e se organiza com o meio, segue alguns princípios básicos. Respeitando o tempo de cada um é possível verificar os processos e estágios de desenvolvimento cognitivo, social e afetivo do ser humano e como estas estruturas mentais influenciam na aprendizagem do indivíduo.

Um dos pontos que contribuem com a aprendizagem dá-se a partir dos aspectos hereditários do individuo, pois o que traz consigo é base para o seu desenvolvimento.

Os processos cognitivos ocorrem numa adaptação racional onde se utiliza estrutura mental conhecida por Piaget, como esquemas que são de natureza reflexa, como cheiro, choro e a sucção, ou ainda estruturas construídas.

A assimilação é onde o indivíduo acrescenta uma nova quantidade de informações aos esquemas já existentes, seguida de um processo chamado de acomodação que trata de modo qualitativo das mudanças de esquemas a partir das informações assimiladas, surge então processo de equilibração, neste caso novas informações passam a fazer parte dos esquemas indicando um equilíbrio entre assimilação e acomodação.

Como fator do desenvolvimento cognitivo, delibera-se o conhecimento físico, onde a criança manipula objeto e experimenta de várias formas.

No conhecimento lógico matemático a criança começa a raciocinar sobre as experiências vivenciadas através dos objetos. E no conhecimento social, se dá com as interações e ações com outras pessoas ou grupos sociais e culturais. Nesse caso se desenvolve as relações e comunicações com seus grupos.

Nos primeiros momentos da vida é um período de muito egocentrismo e logo vai passando por várias fases desse desenvolvimento.

No período sensório-motor, aproximadamente até dois anos de idade, onde a criança aprende através de experiências basicamente.

Passa para o estágio pré-operacional, de dois a sete anos, onde acontece o desenvolvimento da fala, linguagem e da função simbólica ou seja, os jogos de imitação e imaginação.

Dos sete aos onze anos acontece à fase das operações concretas onde ocorre o processo de reversibilidade, relaciona informações umas com as outras, já contempla uma autonomia moral e intelectual.

Em seguida ocorre a fase das operações formais até os quinze anos, deste momento as estruturas cognitivas alcançam o mais elevado grau de desenvolvimento, relacionando objeto, tempo, espaço e casualidade.

No momento em que o professor identifica a fase que o aluno se encontra, facilita o planejamento de ações em sala de aula para contribuir na prevenção do fracasso escolar, e no redimensionamento dos atos pedagógicos, considerando cada aluno como um sujeito único em suas dimensões objetivas e subjetivas, contribuindo com uma pedagogia do respeito, das  descobertas e do prazer (Escott, p.42).

Assim, os educadores poderiam fazer a diferença na vida dos educandos, contribuindo para o exercício de sonhos, não para o futuro, mas para o seu momento presente na sala de aula.

 

 

PONTOS DE INVESTIGAÇÃO INSTITUCIONAL COM BASE NA PSICOPEDAGOGIA :

 

Clarice Monteiro Escott

1 - Dados de identificação da escola:

lCaracterização da comunidade escolar (nível sócio-econômico-cultural, escolaridade, profissão, representação da comunidade sobre educação, formas de organização da comunidade, infra-estrutura da comunidade, etc... )

lHistórico da instituição.

 

2 - Organização da instituição:

lCondições físicas (prédio, espaço, mobiliário, equipamentos, etc...),

lNúmero de pessoal administrativo, equipe de coordenação administrativo-pedagógica,

lNúmero de docentes,

lNúmero de alunos,

lNúmero de funcionários,

lFormas de organização (Conselho Escolar, CTAP, Grêmio de Alunos, Associação de Pais,...), etc...

 

3 - Organização Pedagógica - concepção pedagógica e epistemológica:

l3.1.   regimento escolar - princípios filosóficos, objetivos, diretrizes, atribuições da direção, supervisão escolar, orientação educacional, psicopedagogo e psicólogo, regras de convivência (deveres e direitos, formas de construção dessas regras), avaliação (quantitativa ou qualitativa, Conselho de Classe, organização dos critérios e instrumentos de avaliação, coerência com a proposta político-pedagógica)

 

 

l3.2 proposta político-pedagógica

3.3.    plano global (relação e coerência com o regimento escolar)

3.4.    planos de ensino 

3.5.    postura político-pedagógica dos professores (relação e coerência entre discurso e prática, coerência com a proposta político-pedagógica da escola)

 

4 - Relações interpessoais e com o conhecimento em todos os níveis da instituição:

 

l4.1.   imaginário e representações sociais e de aprendizagem de todos os sujeitos envolvidos (pais, alunos, professores, funcionários, equipe diretiva – análise subjetiva)

l4.2.   relações de poder em nível institucional (todos os segmentos)

 

5 -      Análise dos grupos de alunos:

 

l5.1.   Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental: análise da história vital dos alunos, observação da evolução psicogenética dos alunos pelo professor e relação com a aprendizagem (provas projetivas psicopedagógicas) para definição do “perfil da turma” e levantamento de estratégias. Entrevista com os professores.

 

Etapas Finais de Ensino Fundamental e Ensino Médio: relação com aprendizagem ( provas projetivas psicopedagógicas), questionários com os alunos ( faixa etária, relação com a escola, vida escolar, dificuldades, desejos, relação familiar, evolução psicogenética, relação com o grupo, relação com os professores, drogas, lazer, trabalho, condições sócio-econômico-cultural, questões metodológicas), entrevista e provas projetivas com os professores (coerência discurso e prática, adequação metodológica, relação com os alunos, ...) 

 

COLETA DE DADOS

lLEITURA E ANÁLISE PEDAGÓGICA A PARTIR DA PSICOPEDAGOGIA

 

 

lDEFINIÇÃO DO FOCO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA COM FUNDAMENTAÇÃO Pp.

 

 

lPLANEJAMENTO

OBSERVAÇÕES:

l1.      O diagnóstico e intervenção com base na Psicopedagogia aqui propostos estão separados didaticamente para  melhor visualização e análise acadêmica. Na prática, os dois, diagnóstico e intervenção são indissociáveis, pois mesmo no momento do diagnóstico o educador já estará intervindo. Da mesmo forma, durante a intervenção o educador deverá estar sempre atento no olhar e escuta psicopedagógica, redirecionando e redimensionando sua intervenção quando necessário.

 

Reflexões finais

Por Lilo Dorneles

Percebemos ao longo desta caminhada, que os conhecimentos em Psicopedagogia servem como instrumentos importantes para que os professores possam compreender melhor o seu aluno. Para detectar dificuldades de aprendizagem e aí então poder propor intervenções  adequadas para prevenir o fracasso escolar.

 

Conforme Aquino, (1996, p.157)

Professores ensinam sim, mas uma matéria incorpórea e indelével. Ensinam talvez, uma forma muito peculiar de amor, um amor intransitivo que dispensa objetos e que os confunde com o próprio conhecimento.

Toda a aula em que, juntos, professores e alunos entregam-se à errância e a desmesura do ato de pensar torna-se uma lição de amor, de liberdade de solidão; todas essas propriedades de um encontro irredutivelmente humano, como aquele que, por vezes, consegue estabelecer dentro de uma sala de aula.

 

No exercício do encontro humano, cada momento é único, subjetivo e singular. Cheio de mistérios, encantamentos, desencantos, conquistas e desafios incompreensíveis. No entanto, ser educador ou educadora é estar fazendo um mundo melhor a cada dia, é saber que a sociedade é feita por cada um e cada uma que circula por nossas vidas durante um ano, vários anos e assim sucessivamente. É provocar uma metamorfose diária, transformando e deixando se transformar. E assim ir tocando a vida, como um barco que navega, às vezes em águas mais calmas, por outras turbulentas, mas com a certeza e confiança de que chegará ao destino.

  Gostaria de finalizar essa incursão Psicopedagógica com a seguinte mensagem:

 

Homem

Vital Didonet

Para você me educar você precisa me conhecer,

Precisa saber mais da minha vida,

Meu modo de viver e sobreviver;

Conhecer a fundo as coisas nas quais eu creio

e as quais me agarro nos momentos de solidão,

desespero, sofrimento.

Precisa saber e entender

As verdades, as pessoas e fatos, aos quais me agarro

Quando preciso ir além de mim mesmo,

Para você me educar

Precisa me encontrar lá onde eu existo

Quer dizer, no coração das coisas,

Nos mitos e nas lendas, nas cores e movimentos

Nas forças originais e fantásticas,

Na terra, nas estrelas,

Nas forças dos astros, do sol e da chuva.

Para você me educar

Você precisa estar comigo onde eu estou.

Mesmo que você venha de longe e que esteja muito adiante.

Só há um adiante para mim:

Aquele que eu construo e conquisto.

Só há uma forma de construí-lo:

A partir de mim mesmo e do meio em que vivo.

Para você me educar

Precisa compreender a cultura do contexto

Em que se dá meu crescimento.

Pois suas linhas de força são as minhas energias

Suas crenças e expectativas, são as que passam a construir

O meu medo e as minhas esperanças.

A educação que eu necessito

É aquela que faz mais eu

Que desperta, do mistério do meu ser,

As potencialidades adormecidas.

É uma educação que promove minha identidade pessoal.

Eu me educo fazendo cultura e nesse ato de geração cultural,

eu construo minha educação,

Conquisto o meu ser, na relação dialógica

Homem/Natureza.

 

Organização do material – Lilo Dorneles

Orientação – Clarice Escott

 

 

www.professorlilo.com.br

sementemagica@terra.com.br

fones: 0xx51 – 3598 2359 – 9976 9806

 

Permitimos a reprodução desde que citando a fonte.

Novembro de 2005.